A prisão inédita que aprofunda a crise política em Brasília

Esta matéria foi publicada por em 26 de novembro de 2015 às 18:23

O dia de ontem mal amanhecera quando parlamentares começaram a receber a notícia da prisão de um colega em exercício. Pego em flagrante segundo o o Supremo Tribunal Federal (STF), o líder do Governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), foi o primeiro da Casa a ser encarcerado desde o fim do regime militar. O Planalto já fragilizado pelos desentendimentos políticos com o Congresso perde um articulador e tem sua imagem comprometida, nesta nova fase da Operação Lava Jato.

Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, a prisão inédita de Delcídio deverá ter implicações sérias para o Governo. “O PT já está começando a abandoná-lo. Se ele resolver abrir a boca, a casa cai”, afirma.

O motivo oficial da detenção do petista foi a tentativa de obstrução de Justiça, através de um plano de fuga para o delator e ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. De acordo com gravação de áudio feita por Bernardo Cerveró, filho do réu, o plano era que Nestor deixasse o País antes de participar de delação premiada. Por suposto, as declarações de Cerveró poderiam prejudicar Delcídio. “Se Cerveró conseguir comprovar tudo o que contar, isso será más notícias para Dilma e o PT”, avalia Fleischer.

No entanto, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, já afastou a figura de Delcídio do partido. “Nenhuma das tratativas atribuídas ao senador têm qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado”, afirma, em sua rede social. Ele informou ainda que a cúpula petista irá se reunir para decidir o futuro do senador dentro da sigla.

Parlamento

Até o momento, o Senado havia sido a Casa de suporte de Dilma, enquanto a Câmara tem votado contra questões governistas. Apesar do constrangimento causado pela prisão de um colega com mandato, a maioria dos senadores, inclusive a oposição, elogiou o modo como Delcídio tratava as questões de Governo. Colegas evitaram comentar o assunto com a imprensa.

Agora, os rumos das alianças no Senado serão influenciados pelo substituto de Delcídio. Na próxima semana, assume o cargo um dos quatro vice-líderes: Hélio José (PSD-DF), Paulo Rocha (PT-PA), Wellington Fagundes (PR-MT) e Telmário Mota (PDT-RR).

O líder do Governo na Câmara, deputado José Guimarães, tentou minimizar os efeitos da prisão do colega de partido. “Nossa preocupação é com a sessão do Congresso. Temos enorme preocupação de votar PLN 05 (que revisa a meta fiscal de 2015)”, declara. Ele se disse “abalado”, mas destacou que o Governo não pode parar por conta do ocorrido.

Ao fim do dia, os senadores decidiram manter a detenção de Delcídio, autorizada pelo STF. Na operação da Polícia Federal de ontem, também foram presos o banqueiro André Esteves, que supostamente ofereceria R$ 4 milhões para viabilizar a fuga de Cerveró, o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, e o advogado da família Cerveró, Edson Ribeiro.

Delcídio e os ministros

No áudio usado como prova contra Delcídio do Amaral (PT-MS), consta que, por diversas vezes, ele insinuou que teria poder de influência nas decisões dos ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Luiz Edson Fachin e Gilmar Mendes.

Ao confirmarem a prisão preventiva do líder do governo no Senado, ministros sustentaram que a imunidade parlamentar não representa impunidade e, em tom de aviso, apontaram que os criminosos não passarão sobre a Justiça. “O crime não vencerá a Justiça, aviso aos navegantes dessas águas turvas.Não passarão sobre o Supremo, não passarão sobre a Constituição do Brasil”, diz a ministra Carmen Lúcia.

 Fonte: O Povo

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